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     “Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

    Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

    A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

    Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

    Veja vídeo
    Vídeo: o rosto de Cristo
    impresso nas catedrais medievais
    “Pára, que eu quero ficar aqui! Eu sei que o resto é muito belo, mas eu creio que poucos olharam essa Catedral desse ângulo e pararam. E eu quero ser dos poucos, para dar a Nossa Senhora o louvor deste ponto de vista aqui, que os outros talvez não tenham louvado suficientemente.

    “Ao menos se dirá que uma vez, um peregrino vindo de longe amou o que muitos outros, por pressa, por isso ou por não terem recebido uma graça especial naquele momento para aquilo, não chegaram a amar.”


    E em todos os grandes monumentos da Cristandade, depois de admirar as maravilhas, eu tenho a tendência a ir admirando os pormenores, num ato de reparação, porque esses pormenores talvez não tenham sido amados como eles deveriam ser amados.

    E então fazer ao menos isto: amar o que deveria ter sido amado e que foi esquecido. É sempre a nossa vocação de levar à tona as verdades esquecidas, que os homens põem de lado.

    Eu fiquei encantado com a Catedral naquele ângulo.

    Depois dei a volta, e voltei para o hotel com a alma cheia.

    E se alguém naquele momento me lembrasse da palavra da Escritura:

    “Eis a igreja de uma beleza perfeita, a alegria do mundo inteiro”, eu teria dito: “Oh! como está bem expresso! É bem o que eu sinto a respeito da Catedral.”

    E aí, do fundo de nossas almas, do fundo de nossas inocências, sobe uma coisa que é luz, superluz, mas ao mesmo tempo é penumbra ou é obscuridade sem ser treva.

    E é a idéia de todas as catedrais góticas do mundo, as que foram construídas, e as que não foram construídas, dando uma idéia de conjunto de Deus. Que, entretanto, ainda é infinitamente mais do que isso.

    Aí o espírito que inspirou todas essas catedrais nos aparece.

    E aí, realmente, mais nós vivemos no Céu do que na Terra.

    E aí o nosso desejo de uma outra vida, de conhecer um Outro, tão interno em mim que é mais eu do que eu mesmo sou eu, mas tão superior a mim que eu não sou nem sequer um grão de poeira em comparação com Ele, esse meu desejo se realiza.

    Eu digo: “Ah, eu compreendo, o Céu deve ser assim!”

    Nós amamos ainda mais o puríssimo Espírito, eterno e invisível, que criou tudo aquilo, para dizer:

    “Meu filho, Eu existo. Ame-me e compreenda: isto é semelhante a Mim.

    “Mas, sobretudo, por mais belo que isto seja, Eu sou infinitamente dessemelhante disto, por uma forma de beleza tão quintessenciada e superior, que é só quando me vires que verdadeiramente te darás conta do que Eu sou.

    “Vem, meu filho. Vem, que eu te espero!

    “Luta por mais algum tempo, que Eu estou me preparando para te mostrar no Céu belezas ainda maiores, na proporção em que for grande e dura a tua luta.

    “Espera que, quando estiveres pronto para veres aquilo que Eu tinha intenção de que visses quando Eu te criei.

    “Meu filho, sou Eu a tua Catedral!

    “A Catedral demasiadamente grande! A Catedral demasiadamente bela!

    “A Catedral que fez florescer nos lábios da Virgem um sorriso como nenhuma jóia fez florescer, nenhuma rosa, e nem sequer nenhuma das meras criaturas que Ela conheceu.”

    “Essa Catedral é Nosso Senhor Jesus Cristo.

    “É o Coração de Jesus que tirou do Coração de Maria harmonias como nada tirou. Ali, tu o conhecerás.”

    Ele disse dEle: “Serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande”.

    Video: O rosto de Jesus Cristo impresso nas catedrais medievais



    (Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 13/10/79, excerto sem revisão do autor)

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    Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a idéia de afiar uma espada para entrar em combate.

    Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa. Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

    Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

    Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

    Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

    No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado “imortal” ‒ da mais mortal das imortalidades ‒ não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula.

    Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.


    Até algum tempo atrás, ao fardão dos diplomatas era também incorporada a espada. Atualmente não sei se ainda a conservam.

    Por que razão isso é assim?

    Porque a espada ficou ligada a uma série de aspectos poéticos e heróicos, símbolos da cavalaria e da dignidade humana, que não se dissociam dela.

    Por isso nela costumam estar presentes não só a beleza da forma, mas também a excelente qualidade do material utilizado em sua confecção, muitas vezes ornamentado com incrustações de metais nobres e pedras preciosas.

    E quando seu detentor é possuidor de fé ardente e espírito sacral, não hesita em colocar uma relíquia do Santo de sua maior devoção no punho da mesma.

    Na Antiguidade clássica, ainda não se construíra em torno da espada toda a legenda que, sobre ela, formou-se durante a Idade Média.

    Esta fase histórica soube ver com profundidade a espada, sublimá-la e transformá-la no mais alto símbolo da dignidade humana.

    Um rei para ser coroado usa sempre a espada.

    Para tudo de elevado, de pompa que o igualitarismo moderno ainda deixou de elevado, usa-se a espada.

    O que é mais bonito dizer: “Eu herdei de meu pai uma espada” ou “eu herdei de meu pai uma geladeira, um Cadillac ou uma indústria”?

    Pode ser mais lucrativo herdar do pai uma indústria, porém há mais beleza em dizer: “Eu herdei de meu pai uma espada que, nos campos de batalha, defendeu a civilização cristã. Ele foi um herói e morreu na guerra. A espada que usava como militar, como combatente, ele me legou!”

    Uma espada assim deveria ser guardada numa capela. Pois ela transformou-se numa relíquia.


    (Fonte: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 9 de maio de 1969. Sem revisão do autor, apud “Catolicismo”).


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    O papel de Carlos Magno como autêntico edificador da Europa católica é ímpar, tendo ele lançado os fundamentos das nações européias mediante a fundação de um Império que veio a se tornar o Sacro Império Romano Alemão.

    Deste patriarca da civilização européia e, mais especialmente, dos povos de língua germânica, conserva-se um busto-relicário na cidade de Aquisgrão.

    Convêm lembrar que em certas dioceses do Norte da Europa está permitido o culto nas igrejas a esse imperador como Beato Carlos Magno, e se veneram suas relíquias.

    No ano 800, o Papa Leão III recebeu Carlos Magno em Roma, e o proclamou Imperador Romano do Ocidente.

    Com o Sacro Império de Carlos Magno nasceu a Europa como unidade de civilização, a Europa católica.

    Seu poder, sua grandeza e sua glória eram reconhecidos além de suas fronteiras. Ele foi o árbitro supremo de toda a Europa cristã, o sustentáculo da Idade Média.


    Carlos Magno foi o açoite de todos os povos idólatras e o amparo dos povos tementes a Deus.

    O Papa era o Senhor de Roma, e Carlos Magno seu protetor.

    A Cristandade tinha duas cabeças: uma espiritual, o Papa; e outra temporal, o Imperador.

    Este administrou seus domínios através de enviados especiais, os missi dominici (enviados do senhor), um eclesiástico e um secular para cada condado. Eles recebiam os impostos e aplicavam as decisões de arbitragem.

    Nesse período imperial, verificou-se um apogeu cultural em numerosas áreas: a literatura, a música, a filosofia, a teologia, as ciências, a arte decorativa, a arquitetura e a indústria têxtil.

    Além disso, reinou grande pujança econômica em todos os níveis do Império carolíngio.

    Carlos Magno pode ser considerado um predileto da Providência Divina, promotor dos princípios cristãos e cuja atuação constituiu um marco na História da civilização ocidental.

    Faleceu em 814, no 46º ano de seu reinado.


    (Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, dezembro 1996).



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  • 09/18/11--01:00: A alegria do bom combate
  • Musée des Armées, Invalides

    Não é grandioso o elmo, esse claustro ambulante dentro do qual não se fala, mas sob o qual um coração pulsa forte?

    Sim, porque é o amor de Deus, de Nossa Senhora e da Santa Igreja que lateja no coração do cavaleiro, incendeia seu olhar, arma-lhe o braço, esporeia o cavalo e... crava a lança no peito do infiel.

    Entretanto aquele elmo pode servir de mortalha. E, ao cingi-lo, o cavaleiro sabe que se reveste de dupla coragem: a de matar e a de morrer!

    Ambas por amor a Deus, a Nossa Senhora e à Santa Igreja. Eis nessa coragem o fundamento de toda beleza do elmo.


    Elmo, Invalides, Museu do Exército, ParisElmo... expressão sensível de uma deliberação: "Lutarei por amor a Deus! E se for morto, desde já aceito uma morte atroz, a fim de que os outros passem sobre meu cadáver, avancem e ganhem a batalha! A morte para mim não é uma surpresa, não é um desastre, não é uma inimiga da qual devo fugir espavorido.

    "Se a morte é o fim dos dias de todos os homens, que minha morte -- conforme os desígnios da Providência -- tenha este sentido sublime: que ela venha sobre mim provocada por meu amor a Deus, e impulsionada pelo ódio que Lhe votam os adversários.


    "Oh morte, neste encontro eu te venço! Porque ainda que tu me arranques a vida terrena... eu te arranco a Vida Eterna!"


    (Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", fevereiro 1996)

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    Retábulo de Ouro, catedral de Veneza. Catedrais medievais
    A preciosa obra artística denominada Retábulo de Ouro (*), está colocada atrás do altar-mor da célebre Basílica de São Marcos, em Veneza.

    Cada um dos esmaltes que ela contém é uma verdadeira maravilha.

    No detalhe (à direita), vê-se um esmalte representando a majestade de Nosso Senhor Jesus Cristo, apresentado com as características de um Imperador bizantino, rodeado dos quatro Evangelistas (em destaque, na foto à direita). Em cima, à esquerda, São Marcos, eà direita São João; embaixo, à esquerda, São Mateus, e à direita, São Lucas.

    Diz o livro do Gênesis que, tendo Deus criado todas as coisas, no sétimo dia Ele repousou contemplando Sua obra. Fez, então, um balanço da criação: o conjunto dos seres criados era “muito bom” (Gen. I, 31).


    Retábulo de Ouro, catedral de Veneza. Catedrais medievaisAnalogamente, no primeiro golpe de olhar que incide sobre o Retábulo de Ouro, nota-se uma beleza que em francês se diria bariolée, isto é, constituída pela mistura indefinida de muitas cores, formas e figuras, e da qual resulta um bariolage extremamente deleitável à vista.

    Mas também muito conveniente à piedade, porque os olhos sentem atração para se deterem sobre temas santíssimos, cristianíssimos. E isso contribui singularmente para a formação, em primeiro lugar religiosa e em segundo lugar artística, do povo de Deus.

    Todos esses elementos concorrem para que o Retábulo de Ouro seja considerado um verdadeiro tesouro.




    (*) Nota: Localizada atrás do altar-mor, encontra-se a famosa obra-prima da ourivesaria medieval que recebeu a denominação Palla d’oro (Retábulo de Ouro). Sua primitiva douração data do ano 978. Ela foi depois enriquecida com mais ouro e esmaltes provenientes das presas trazidas para Veneza, por ocasião da IV Cruzada, de 1202 a 1204. Essa obra compõe-se de mais de 80 esmaltes, em meio a numerosas pedras preciosas, aplicados sobre uma placa de ouro que mede 3,48 metros de extensão por 1,40 de altura.

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    A Idade Média concedeu uma importância enorme aos símbolos. Esses deviam ser feitos com os melhores materiais disponíveis. Sobre tudo quando se tratava das mais altas realidades do Céu e da religião.

    Nisto, ela não inovou, pois já os povos da Antiguidade tinham noções semelhantes.

    A começar pelo povo judeu que os medievais conheciam pela Bíblia. Baste considerar a fastuosa vestimenta que Moisés mandou fazer para o Sumo Sacerdote.

    Há um segundo motivo: o educativo. Deus pôs na Criação admiráveis símbolos que nos ajudam a compreender as verdades mais altas da Fé, como a ressurreição da carne e a vida eterna. Entre esses símbolos conta-se, sem dúvida, as pedras preciosas..

    Os corpos dos falecidos na graça de Deus ressuscitarão esplendorosos como sóis, purificados de toda imperfeição, portando como gloriosas condecorações os sinais externos dos grandes feitos da sua vida.

    As feridas dos mártires serão fontes de luz; os heroísmos praticados pela Fé, as vitórias contra o vício e o pecado reluzirão como coroas de ouro que iluminarão a alma, transparecendo o brilho nos corpos.


    No Céu, as almas verão a Deus face a face – Ele que é fonte inesgotável de todas as perfeições e alegrias. E isso por toda a eternidade, sem ter nem sequer a perspectiva de qualquer sombra de perturbação.

    Os corpos, por sua vez, serão envolvidos numa castíssima, temperante e fabulosa variação harmônica de gáudios adequados à natureza material que lhes é própria. Companheiro de trabalhos e lutas da alma nesta Terra, o corpo terá assim seu justo prêmio.

    A purificação da Terra

    Para este fim, Deus criou um lugar especial para os corpos dos que se salvam: o Céu Empíreo. Além do mais, o Paraíso terrestre lhes estará franqueado, para ali se jubilarem na contemplação dessa obra-prima do universo.

    Também esta Terra em que vivemos será purificada. A virtude divina, valendo-se do fogo, tirará dela tudo quanto há de impuro, feio, ruim ou grosseiro – inclusive as más obras dos homens – e lançá-los-á no inferno.

    Tudo quanto há de belo e bom será acrisolado e conservado na Terra. Então os bem-aventurados voltarão em corpo e alma, sem esforço nem entraves, aos locais onde se deram grandes lances da História da Igreja, da humanidade e de sua vida pessoal, conversando entre si e trocando felizes lembranças.

    Como será a matéria dos corpos ressurretos e da Terra purificada? É difícil sabê-lo. Entretanto, uma rara pedra dá-nos disso uma certa ideia: o diamante.

    Sim, a pedra mais cobiçada do mundo é uma pálida mas significativa prefigura da Terra futura!

    Continua no próximo post


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    Continuação do post anterior

    O exemplo do diamante

    Segundo a física, o diamante não é senão carvão que foi submetido a temperaturas e pressões extraordinárias em camadas geológicas profundas.

    Se o carvão acrisolado dá no diamante, o que darão os outros elementos depois da purificação final do nosso mundo? Ficamos pasmos e maravilhados ante a incógnita.

    Cada diamante é como uma gota de orvalho do Céu Empíreo, e dele nos fala naturalmente.

    Por exemplo, o esplêndido ostensório da catedral de Palermo, Itália, (ao lado) enriquecido profusamente de diamantes, dá-nos uma ideia da glória do preciosíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, não somente na Hóstia consagrada, mas especialmente no Céu, ao qual Nosso Senhor ascendeu em corpo e alma.

    Ele não é medieval, como várias outras peças que comentamos neste post, mas se insere na continuidade da concepção medieval do simbolismo.


    Igualmente, a profusão de diamantes encastoados no ouro da soberba "glória" do Santo Costado (lado de Nosso Senhor traspassado por uma lança, e do qual jorrou sangue e água), do tesouro da mesma catedral.

    Representa a torrente inexprimível de graças conquistadas por essa chaga aberta pelos algozes de Nosso Senhor durante sua Paixão.

    Essa joia religiosa nos permite imaginar também a sublime luz que se desprenderá das chagas dos mártires ressurretos, assim como resplendor dos corpos das Virgens e Doutores da Igreja.

    Tiara pontifícia do Papa Gregório XVI
    A tiara pontifícia de Gregório XVI, que vemos na foto ao lado, foi confeccionada com muitos diamantes.

    Eles realçam o caráter de ponte suprema e infalível entre o Céu e a Terra, próprio do Papa.

    Racional [broche] do Papa Leão XIII
    E colateralmente nos faz pensar na coroa que corresponde a cada bem-aventurado no Céu.

    Fala-nos também dos símbolos materiais com que serão recobertos os bem-aventurados no Céu Empíreo o deslumbrante racional [broche que fecha a capa pluvial] do Papa Leão XIII.



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    Continuação do post anterior

    O diamante, a mais dura das pedras, é símbolo da virtude inabalável. Ele destina-se a prestigiar a virtude e a santidade.

    Mas cada pedra preciosa tem um significado místico religioso. Santa Hildegarda de Bingen, que vai ser declarada Doutora da Igreja em breve, consagrou 26 capítulos de seu livro “Physica” às virtudes e poderes curativos que Deus pôs em cada uma delas.

    Estas considerações simbólicas são especialmente verdadeiras quando se trata daquelas instituições na Terra que melhor refletem a ordem e a santidade do Céu: a Santa Igreja Católica e a Civilização Cristã.

    Exemplo magnífico é constituído pela insígnia da ordem de origem medieval do Toison d'Or (Tosão de ouro).

    A que vemos aqui foi composta para os reis de Portugal com 400 diamantes brasileiros.

    A Ordem do Tosão de Ouro, essencialmente secular e honorífica, engajava os seus membros a exaltar o espírito cavalheiresco, tendo como fim principal a glória de Deus e a defesa da Religião cristã.

    Ela, entretanto, é apenas uma prefigura dos insignes sinais que portarão na eternidade todos aqueles santos que guerrearam pela Igreja e pela Cristandade nesta vida terrena e passageira.


    No mesmo sentido falam-nos as duas peças ao lado: a Grande Cruz e a condecoração das Ordens Militares de Cristo, Santiago e Avis, coroadas pelo Coração de Jesus rodeado de espinhos ao lado.

    Continua no próximo post


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    Continuação do post anterior

    Símbolo de valores morais

    Na ordem social e política cristã, cabe à nobreza, e de modo especial aos reis, serem para o povo um modelo de prática adamantina (a palavra se origina de diamante) das virtudes católicas: Santo Henrique, imperador alemão; São Luís IX, rei da França; São Fernando de Castela; São Pedro Urséolo, Doge de Veneza; Santa Isabel da Hungria; Santa Isabel de Portugal; Santa Clotilde – para mencionar apenas alguns, mas esplêndidos exemplos disso.

    É pois benéfico para a sociedade que sejam ornados com símbolos da Pátria celeste aqueles que, com seu estilo requintado de vida, nos figuram o ideal do Céu.


    É o caso do diadema da rainha Maria Pia de Portugal – feito por volta de 1860 com diamantes do Brasil – ou o da rainha Isabel da Bélgica.

    O quadro de Cristina de Lorena, Grã-duquesa da Toscana, ornada com diamantes e pedras preciosas, leva-nos a admirar um conjunto de valores morais e culturais que, na sua perfeição sem mancha, só conheceremos na corte celeste.

    No quadro da rainha de Espanha, Maria Luísa, o requinte de refinamento, educação e delicadeza quase faz esquecer a riqueza dos diamantes que ela ostenta.

    A pintura, entretanto, é uma pálida figura do resplendor que a visão beatífica comunicará às almas bem-aventuradas, e que excederá o brilho das recompensas reservadas para os corpos ressuscitados no grande palácio do Céu.

    Uma antipatia moderna

    Em sentido contrário, compreende-se bem quanto o abuso desses símbolos é oposto às finalidades com que Deus os criou.

    É o caso do seu emprego pelas religiões pagãs; ou para o mero gozo da vida, vaidade ou exibição de dinheiro pelo dinheiro.

    Exemplo típico foi o do diamante Oeil de l'Idole, que um soldado inglês arrancou da testa de um ídolo indiano.

    Ou certas obras de joalheria moderna, que empregam nobres pedras para figurar animais ou formas extravagantes, imorais, nojentas ou nocivas.

    Mas o antigo paganismo – é preciso reconhecê-lo – não caiu tão baixo quanto o igualitarismo sórdido da nossa época, que odeia por princípio tudo quanto alimenta o desejo do Céu, e por isso antipatiza com elementos como o diamante, que nos proporcionam antegozo e apetência da eterna bem-aventurança.

    O carvão, o brilhante e o raio de sol

    "O diamante é um carvão que,
    nas trevas e sob a pressão dos sofrimentos mais atrozes,
    admirou tanto a luz,
    que se transformou num raio de sol".
    Plinio Corrêa de Oliveira


    Fim


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    “A França deveria ser para o conjunto das nações católicas a terra da harmonia, da bondade, do sorriso, da generosidade de alma, do dom total de si mesma à vossa pessoa e, por vosso intermédio, a vosso divino Filho; a terra cuja alma se exprime na Sainte Chapelle, em Notre-Dame e em tantos outros monumentos que cantam a vossa glória”.

    Ao final deste fragmento de uma oração, dirigida por Plinio Corrêa de Oliveira a Nossa Senhora enquanto Rainha da França, nós poderíamos acrescentar Fra Angélico entre as expressões da alma francesa, embora ele fosse italiano.

    A harmonia e a doçura que emanam das linhas e das cores de suas configurações da História Sagrada e das verdades de fé são representações pictóricas inteiramente afins com a sacralidade daqueles monumentos arquitetônicos franceses.

    O público francês confirma nestes dias essa atração: desde o final de setembro, todos os dias da semana, as salas de exposição do Museu Jacquemart-André, em Paris, estão continuamente cheias. Elas expõem uma coleção de numerosas pinturas de Fra Angélico.


    Sob a chuva fina e gélida deste inverno europeu, as filas de espera à porta do Museu são ininterruptas. Não é fácil entrar, pois a administração não permite excesso de pessoas junto às obras, a fim de proporcionar ao público a calma para se deter diante dos mistérios sagrados ali representados.

    O estilo é preciso e singelo: ora radioso e terno quando se trata da gruta de Belém, ora trágico e dolente ao reproduzir a Crucifixão ou martírios, ora manifestando profeticamente a visão do mestre a respeito das verdades contidas no Credo, como a ressurreição dos corpos, a felicidade celeste dos bem-aventurados e o castigo dos condenados.

    Verdades há muito desaparecidas da quase totalidade dos sermões dominicais de nossas igrejas — como também nas da França —, verdades que trazem consigo, entretanto, perene atração.

    “Angélico pintor” que transcendeu seu tempo

    Fra Angélico é o nome com o qual o frade dominicano Giovanni da Fiesole, beatificado por suas virtudes insignes, entrou na legenda como um dos maiores mestres da pintura sacra. Ele viveu na primeira metade do século XV (1410-1455), foi religioso do convento de São Marcos, em Florença.

    Pouco depois de sua morte, outro frade, Domenico di Giovanni, admirando cenas da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo pintadas num armário para conservar ex-votos doados ao santuário mariano florentino da Santíssima Annunziata, exclamou: “Angelicus Pictor”.

    A exclamação bem traduzia o estilo e a linguagem pictórica usados por Fra Angélico. Os contemporâneos viram naquela exclamação uma explicitação do sentimento de todos. A partir de então, ele foi assim conhecido.

    De angélico tinham suas obras o espírito da Filosofia Escolástica de Santo Tomás de Aquino — “Doctor Angelicus” —, bem como o do estilo gótico, denominado por muitos de “escolástica de pedra”.

    A obra de Fra Angélico se une assim, indissociavelmente, a grandes florões da Idade Média, apesar de ele ter vivido no início da época renascentista.

    Mas seu estilo transcende os parâmetros artísticos de seu tempo, conciliando-se com o espírito que impregnou o apogeu da civilização cristã medieval.

    O juízo da Igreja sobre suas virtudes ao declará-lo Beato não se formou a partir da análise de eventuais escritos por ele deixados, mas firmou-se sobre a perfeição de alma revelada em suas pinturas.

    Continua no próximo post

    (Fonte: Nelson Ribeiro Fragelli, in “Catolicismo”, fevereiro 2012)



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    Continuação do post anterior

    O Beato concebeu suas obras, segundo a tradição medieval, como instrumento de apostolado. Ele quis que elas trouxessem ao mundo reflexos da Beleza divina e de sua Igreja — reflexos tão perfeitos quanto seu pincel fosse capaz de representar.

    Sua visão do Belo deveria instruir, mover as almas à oração e à contemplação. Foi o que fez na cela dos frades ao receber ordem de seu superior de orná-las com afrescos, no convento de São Marcos. Nelas deixou pinturas cujos traços revelam, em sua pureza e simplicidade, intensa vida interior do artista.

    Antigos autores sustentam a hipótese de que ele teria tido visões durante as orações preparatórias para a execução de seus trabalhos de pintor.

    Assim como os monges-construtores das primeiras catedrais góticas no século XII tinham em vista exclusivamente a edificação espiritual dos fieis, Fra Angélico apresentou, sob seus traços e suas cores, a verdade e o dogma.


    Sob as suaves aparências de seu estilo ele sensibilizou as almas e assim as moveu rumo à aceitação gaudiosa das verdades eternas. Ele sofria ao ver a crescente negação dessas verdades pelo espírito da Renascença, cuja virulência já em seus primórdios contaminava seus contemporâneos, pintores e religiosos como ele.

    A suavidade de seus personagens não nos deve iludir. Se os gestos e feições deles não polemizam é porque ao serem pintados os grandes dogmas da Cristandade — ainda não tinham sido negados pelo ímpio Lutero —, o foram sob o influxo de alegria vinda da profunda paz da qual gozam as consciências retas.

    Tais gestos e afeições invariavelmente denotam inabalável firmeza de princípios. A firmeza dos traços desperta o sentimento de coerência e de veracidade. A veneração pelo dogma movia seus pincéis.

    Representações de perfeições espirituais

    Em suas cenas são características as representações de largos espaços nos quais nenhuma ação se desenvolve. Esses espaços, imperceptivelmente, descansam o observador e permitem a meditação.

    Ele preferia levar o observador à meditação em vez de provocar aplauso para a obra. Pouco tempo depois, com o advento da plena Renascença, seriam suprimidos esses espaços nas concepções artísticas, sobrecarregando-as de elementos geométricos ou alegóricos, excitando assim a imaginação em detrimento da composição lógica.

    Estas execuções renascentistas introduziam a artificialidade, colhiam aplausos dos espíritos e os louvores faziam rejubilar seus autores voltados à glória terrena.

    A singeleza das composições de Fra Angélico torna-as facilmente inteligíveis, os detalhes são subsidiários da idéia central e sua perspicácia psicológica enriquece agradavelmente o conhecimento. Suas obras ensinam.

    As fisionomias, ao exprimir densidade de pensamento ou de sentimentos, comunicam a certeza de terem sido aquelas mesmas as cogitações do personagem representado. Ele tornou presente a vocação de cada figura através de seus traços fisionômicos.

    Suas cenas são, portanto, repletas de um sentido histórico superior. Sua simbologia não é enigmática nem requer uma chave de interpretação para que o pensamento seja inteligível.

    Ela é de um entendimento simples e imediato, embora, uma vez compreendida, desperte o agradável sentimento de se atingir uma superior percepção de um mistério divino.

    Nesses quadros, paradoxalmente, o mistério nada tem de obscuro, mas é apresentado sob a luz da razão. Eles reproduzem assim, de algum modo, os ensinamentos da Revelação.

    O encanto pelo mistério não é despertado por um astucioso jogo de cores, mas provém de aspectos sublimes da santidade delicadamente apresentados.

    Tal como nas catedrais, é a luz e seus matizes que elevam os corações. “Ad lucem per crucem”, diz-se na Igreja. O sofrimento é apresentado pelo frade pintor como sendo um caminho rumo a revelações superiores.

    Mesmo nas cenas de martírio as fisionomias permanecem inabaláveis, fixas em suas certezas e em sua determinação.

    No quadro “São Lourenço ajuda os pobres”, as feições dos mendigos traduzem tanta calma e segurança quanto a de São Lourenço, portador da bolsa de moedas. Esplendorosamente vestido, São Lourenço jejuava a fim de dar aos pobres mais virtudes do que dinheiro, e o modo com o qual eles o fitam mostra que pediam do santo, sobretudo gestos e palavras de vida eterna. Assim eram os espíritos naquela época de fé.

    Na cena inteira ressuma o desejo do pintor de inspirar virtudes sublimes. “Fra Angélico teve o carisma de exprimir em suas obras a perfeição espiritual — expressão tão mais excelente quanto mais elevado era o objeto da obra” (Plinio Corrêa de Oliveira).


    Continua no próximo post

    (Fonte: Nelson Ribeiro Fragelli, in “Catolicismo”, fevereiro 2012)


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    Continuação do post anterior

    O Beato foi praticamente o único pintor em seu gênero. Seus contemporâneos já estavam contaminados pelo ideal terreno, eminentemente emocional, que dentro em pouco dominaria a Renascença em plena realização. Zanobi Strozzi, um de seus primeiros discípulos, é um triste exemplo da solidão na qual os contemporâneos deixaram o mestre dominicano.

    Em seu célebre quadro sobre Nossa Senhora, o Menino Jesus aparece despido (em todas as eras da Humanidade não se conhece exemplo de mãe que deixe seu bebê despido) enquanto Maria tem o olhar frio e vago, parecendo ignorar o Filho.


    Dois anjos músicos ornam a parte inferior do quadro; um deles, o anjo da esquerda, melancólico e sensual, tem semelhança com certas figuras vistas nas ruas de nossas atuais cidades.

    Strozzi pintou também o “Cristo do Apocalipse”, cuja expressão dura e impessoal da face e do gesto de mão, imprópria à majestade, contrasta com a mesma cena pintada por Fra Angélico no “Juízo Final”.

    Giovanni di Francesco Ravezzano pertenceu à escola de Fra Angélico, embora tardiamente. Também ele quis representar Nossa Senhora com o Menino Jesus, mas sua concepção opõe-se à sutil sensibilidade do Beato.

    Seus personagens já não exprimem nem pensamento nem elevação de sentimentos, quando não são sentimentais. Pinturas como as de Ravezzano contribuíram poderosamente para desviar a fervorosa piedade mariana medieval.

    Alguns quadros ou afrescos atribuídos a Fra Angélico por reconhecidos especialistas foram influenciados e até mesmo completados por seus “discípulos”, podendo assim apresentar detalhes contraditórios com o vulto geral de sua obra.

    Seu estilo apresenta uma “linguagem pictórica” forjada por intensa vida espiritual e pelo desejo santo de retratar Deus, seus anjos e seus santos de modo a serem mais bem conhecidos e amados.

    Seu inconfundível estilo pode ser apreciado particularmente na “Crucifixão”, na representação de “Nossa Senhora no trono”, no afresco sobre a “Anunciação” e no magistral afresco “Apresentação no Templo”, pintado em uma das celas do convento.

    A “alma” de seus personagens pode ainda ser percebida numa simples iluminura de um saltério. Trata-se da letra inicial do Salmo 52: “Disse o néscio em seu coração: Não há Deus. Perverteram-se, tornaram-se abomináveis...”

    Com riqueza de detalhes a iluminura retrata o néscio — espírito precipitado e temerário —, voltado para os aspectos terrenos da existência, carente de elevação moral.

    Um olhar mesmo fugaz desta iluminura despertaria imediatamente, em quem tinha o saltério nas mãos recitando os Salmos, uma santa repulsa por essa posição do espírito.

    Pinturas de sobrenaturais virtudes da alma

    Durante a visita ao Museu Jacquemart-André aprende-se que na biografia do Beato escrita pelo célebre Giorgio Vasari, o autor “insiste na particularidade de que o pintor parece ‘sair do paraíso’”.

    A afirmação deste especialista se compagina a outra, de Plinio Corrêa de Oliveira, segundo a qual Deus, ao criar as maravilhas da natureza, deu-nos a tarefa de as completar.

    Assim, muitas obras dos homens podem ser mais belas do que as da natureza, pois enquanto filhos de Deus os homens podem comunicar à sua obra algo de sua alma, a qual tem belezas inexistentes no mundo da natureza irracional.

    A obra-prima de um pintor consiste em tomar aspectos da natureza — ou cenas da História Sagrada, no caso de Fra Angélico — comunicando a ela reflexos de sua alma habitada pelo sobrenatural.

    Vê-se que o Beato Angélico uniu aspectos superiores de sua alma ao objeto de suas pinturas. Ele mesmo fabricava suas tintas com safiras e rubis triturados, óleos especiais, resinas de utilização até então desconhecida.

    E assim ele trouxe à luz aspectos recônditos da natureza e das almas, da felicidade temporal e dos vislumbres da glória eterna. Suas tintas impregnaram telas e painéis de sobrenaturais virtudes de sua alma.

    Quem contempla seus quadros tem a agradável sensação de estar em presença de realidades evidentes, conhecidas de todos, mas que convidam a um aprofundamento na medida em que uma luz suave emanando daquelas cores sugere traços transcendentais cujo conhecimento seria uma descoberta.

    Em certo momento não se sabe o que mais atrai, se é a pintura ou a alma do Beato. Pode-se distinguir uma da outra?



    Continua no próximo post

    (Fonte: Nelson Ribeiro Fragelli, in “Catolicismo”, fevereiro 2012)


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    Continuação do post anterior

    Seria esta a sensação da multidão de franceses cujos olhos se colavam às obras ali expostas, como que para se liberar de uma névoa que os impedia de ver tanta virtude?

    A cortesia expressa por aqueles personagens e a elegância dos anjos, a suavidade dos reis e o recolhimento dos monges constituiriam uma pausa na vulgaridade de seus dias?

    Sentiriam eles falta da certeza tão presente nos gestos humanos e angélicos daqueles quadros?

    Entre o relativismo balofo dos atuais dias e aqueles semblantes modelados pela decisão da vontade não optavam os expectadores pela prolongada permanência junto ao Beato?


    Por três horas ou mais, silenciosos, recolhidos, eles se deixavam transportar aos tempos da “doce primavera de Fé”.

    Se Fra Angélico pudesse observá-los através de um de seus personagens intensamente fixados pelo olhar do público, talvez ele — perspicaz psicólogo — chegasse a imaginar uma fisionomia única do homem padronizado de nossos dias.

    E se o Beato devesse fixar essa singular fisionomia em uma de suas pinturas, talvez ele a comporia misturando aos lineamentos fisionômicos do néscio, traços da saudade do que lhes foi negado, de compunção e de aspiração a um retorno...

    A exposição apresenta obras de outros pintores, contemporâneos do Beato. Alguns franceses exercitavam seu senso artístico perguntando-se, diante de cada pintura, se aquela vinha das mãos de Fra Angélico.

    Era quase um jogo de discernimento de seu carisma. Atentos, eles procuravam nas pinturas “a marca da beatitude”.

    O que é essa “marca”? Certo é que ninguém descreveria tão bem seus quadros quanto ele mesmo.

    Mas talvez nem ele próprio pudesse dizer como pode exprimir na face da Mãe de Deus, não só a virgindade, mas também o apreço que Ela tinha por sua condição de Mãe, temperando essas expressões com a recusa de tudo o que não é imaculado!

    Rainha dos Anjos, deles Ela é verdadeiramente o arquétipo, superando-os em virtude. Aos poucos a observação atenta familiariza o observador com aquilo que — mais do que uma técnica ou uma habilidade — é o dom de uma alma santa.

    A 556 anos de sua morte, Fra Angélico brilha no firmamento da Igreja como das figuras mais perfeitas que pintou.

    Que espanto ao soar inopinadamente a musiquinha sintética de um estridente celular! Maior espanto em ouvir a resposta da pessoa chamada. De maior desvario daria provas somente alguém que lançasse tinta sobre as asas de um daqueles anjos.

    Protestos se levantaram contra aquela ofensa ruidosa ao sagrado. Alívio ao verem o celular fugir da sala. Olhares indignados se alternaram com observações picantes — tudo à francesa — a respeito da incúria.

    Serenou aos poucos o exasperado redemoinho e os espíritos repousaram novamente no século XV, em pleno convento dominicano. Estávamos nesse momento em frente ao “Juízo Final”.

    Termina a exposição. Ficam nas almas sementes da eternidade.

    Fim

    (Fonte: Nelson Ribeiro Fragelli, in “Catolicismo”, fevereiro 2012)


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    Relicário principal de Santa Valdetrudis, princesa, abadessa e fundadora de Mons, Bélgica
    Relicário principal de Santa Valdetrudis, princesa, abadessa e fundadora de Mons, Bélgica
    Na cidade de Mons, na Bélgica, todos os anos o relicário de Santa Waldetrudis (612-688), princesa fundadora da cidade, desce solenemente do altar, no sábado anterior à festa da Santíssima Trindade.

    O reitor da Basílica o confia ao burgomestre (prefeito), responsável pela segurança do relicário durante a procissão pelas ruas da cidade nos dias seguintes, sobre um carro de ouro. No fim, voltam à Basílica, onde acontece a restituição.

    No vídeo vemos, junto com sua abadessa, as religiosas cuja congregação foi fundada pela santa. Depois vemos o clero carregando as urnas com as relíquias, bispos e guardas suíços armados vestindo uniformes típicos do século XVI. Por fim, vêm o prefeito, vereadores e diversas autoridades, enquanto o povo entoa um cântico especial em honra da santa.

    Santa Waldetrudis é também conhecida como Santa Waudru de Mons, Waldetrude ou Santa Waudru. Na Holanda seu nome é sint Waldetrudis (ou sint Waltrudis), sendo ela padroeira da cidade de Herentals, onde lhe é dedicada a imensa igreja principal de Sint-Waldetrudiskerk (“Igreja de Santa-Waudru”).

    Sua festa é comemorada em 9 de abril, e também em 4 de fevereiro.

    A santa nasceu numa família da alta nobreza francesa. Seu pai, Walberto, foi mestre de palácio do rei Clotário II; sua mãe, Bertila, foi filha do rei de Turíngia Raul I.

    Veja vídeo
    Descida das relíquias

    de Santa Waldetrudis

    Ela casou com Maldegário, conde de Hainaut, poderoso senhor feudal, e tiveram quatro filhos.

    Tendo completado a educação dos filhos, seu esposo se retirou à abadia de Hautmont, que ele próprio havia fundado, como simples frade, adotando o nome de Vicente.

    Por sua vez, Santa Waldetrudis, aconselhada por seu confessor São Ghislain, fundou um oratório sobre um morro (o Mons). Em torno desse oratório se desenvolveu uma abadia beneditina, em torno da qual cresceu uma cidade que leva o nome de Mons, no reino da Bélgica.

    A abadia de Santa Waldetrudis era para mulheres da nobreza, tendo sido por isso reconhecida no século XII como capítulo nobre feminino, e as freiras eram tratadas como cônegas. No vídeo vemos umas meninas pajens, carregando a cauda das religiosas como se fossem princesas.


    Urna com o crâneo de Santa Valdetrudis
    Urna com o crâneo de Santa Valdetrudis
    Após a morte de Waldetrudis o povo estava convencido de que ela era santa e em 1029 a Igreja a canonizou oficialmente. Santa Aye, sua sobrinha e sucessora, também foi canonizada.

    No vídeo nós vemos a manifestação de uma sociedade bem organizada. As religiosas nobres com suas meninas assistentes e a abadessa portando o báculo precedem o cortejo das relíquias da fundadora.

    Depois segue o clero em seus diversos graus: cônegos, monsenhores e bispos. Depois os dois belíssimos relicários, carregados por associações de fiéis.

    Por fim, o prefeito, vereadores, autoridades e populares. Tudo isso forte e nobremente custodiado por soldados em grande uniforme.

    À medida que o solene cortejo procede ouvem-se timbales, trompetes “tebanas”, enquanto o grande órgão do santuário executa o Trumpet Voluntary.

    O prefeito e os vereadores são recebidos na porta do santuário pelo reitor e pelos presidentes da “Fabrique d’Eglise de Sainte-Waudru” (a confraria que construiu a basílica na Idade Média e ainda hoje cuida de sua manutenção e restauração) e da “Procession du Car d’Or” (a confraria que vai conduzir as relíquias pelas ruas, sobre o Carro de Ouro).

    Durante o cortejo o povo canta hinos em honra da santa, notadamente o Fortem virili pectore e as ladainhas de todos os Santos, além da ladainha de Santa Waldetrudis: Sancta Waldetrudis, ora pro nobis.

    Antes de sair do santuário, as relíquias são conduzidas solenemente (cena que o vídeo focaliza) até o transepto da igreja, onde elas são veneradas e incensadas.

    O reitor então relembra a vida da santa e a história do capítulo nobre das cônegas e, voltando-se para o prefeito, diz :

    “Senhor Burgomestre, senhoras e senhores vereadores:

    “Eis que procedemos à descida do corpo santo da Senhora Santa Waldetrudis, com a intenção de levá-lo em procissão pela cidade. Nós vos rogamos e pedimos, aqui mesmo, a garantia de sua segurança, a fim de que mal ou inconveniente algum aconteça na cidade, e que vigieis a fim de que ele seja trazido de volta neste local são e salvo, no mesmo estado que vos é entregue e confiado à vossa lei e poder.”
    E o Prefeito responde:

    “Senhor Reitor, senhores,

    “Nós atendemos ao vosso convite e bem ouvimos e entendemos vosso pedido. Nós aceitamos com todo gosto a guarda do corpo santo da Senhora Santa Waudru, e após ele sair desta igreja até seu retorno, nós cumpriremos nossa leal tarefa de protegê-lo, guardá-lo, sem custos nem despesas, para que não corra perigo algum em toda a cidade”.
    Dito isso os grandes órgãos e as trompetes tebanas executam o hino da Santa, o “doudou”, enquanto a multidão, tomada de alegria, participa do rito.

    Tão logo o cortejo oficial sai do coro e do transepto da igreja, os fiéis acodem em grande número para venerar as relíquias da Senhora Santa Waudru, tocando o relicário com uma medalha, cruz, ou terço, ficando assim relíquia indireta da santa e que eles podem levar às suas casas..

    Carro de Ouro com o relicário da Santa. É levado em procissão pelas ruas de Mons.
    Carro de Ouro com o relicário da Santa. É levado em procissão pelas ruas de Mons.
    A seguir a procissão das velas sai da igreja. No domingo da Santíssima Trindade as relíquias são postas sobre o Carro de Ouro puxado por cavalos. Acompanham-no representantes das corporações de ofício da região.

    Quando o Carro de Ouro chega à Rampa de Santa Waldetrudis (Rampe Sainte-Waudru), os cavalos ficam insuficientes para puxar seu imenso peso. Então centenas de pessoas passam a puxá-lo ladeira acima.

    É fato admitido que quando o Carro de Ouro não consegue subir essa ladeira, grandes infortúnios estão para vir. De fato, assim aconteceu em 1803, por ocasião da invasão da soldadesca da Revolução Francesa, e nos anos de 1914 e 1940, quando a Bélgica entrou na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

    Após as festividades, as autoridades municipais devolvem os relicários ao clero da Basílica, que os repõe no altar. Esta última cerimônia é conhecida como a subida do relicário.



    Video: Descida das relíquias de Santa Waldetrudis, padroeira de Mons, Bélgica




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    Turíbulo para queimar incenso, medieval
    Turíbulo para queimar incenso na Adoração, medieval

    De uma carta de São Francisco de Assis a todos os Superiores dos Frades Menores:

    A todos os Custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, pequenino servo vosso em Deus Nosso Senhor, deseja a salvação com os novos sinais do céu e da terra, que, grandes e excelentíssimos aos olhos do Senhor, são contudo tidos em conta de vulgares por muitos religiosos e outros homens.

    Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu Sagrado Corpo.

    Ostensório para o Ssmo Sacramento, Groninger Museum
    Ostensório para o Ssmo Sacramento,
    Groninger Museum
    Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa.

    E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugar ricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição.

    Igualmente os nomes e palavras escritos do Senhor deverão ser recolhidos, se encontrados em algum lugar imundo, e colocados em lugar decente.

    E em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poder salvar-se se não receber o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.

    E quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, honra e glória ao Senhor Deus vivo e verdadeiro.

    Altar, Alemanha
    Anunciai e pregai a todo o povo o seu louvor, de modo que a toda hora, ao dobre dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente.

    E todos os meus Irmãos custódios que receberem esta carta e a copiarem e guardarem consigo e a fizerem copiar para os Irmãos incumbidos da pregação e do cuidado dos Irmãos, e pregarem até o fim o que nela está escrito, saibam que terão a bênção do Senhor Deus e a minha.

    E isto lhes seja imposto em virtude da verdadeira e santa obediência. Amém.

    E o poverello de Assisi insistia numa segunda carta com zelosa premência:

    A todos os custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, o menor dos servos de Deus, envia saudação e santa paz no Senhor.

    Sabei que existem algumas coisas que aos olhos de Deus são sumamente superiores e sublimes, as quais os homens por vezes julgam vis e abjetas; e outras existem que os homens tem em alto preço e admiração, ao passo que Deus as vê como as mais vis e abjetas.

    Imaculada Conceição, detalhe de paramento sacerdotal bordado por dominicanas inglesas
    Imaculada Conceição, detalhe de paramento sacerdotal bordado por dominicanas inglesas
    Peço-vos, diante de Deus Nosso Senhor, tanto quanto posso, que entregueis aquela carta que trata do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor aos bispos e clérigos e guardai bem na memória o que a respeito disso vos recomendamos.

    Acerca da outra carta que vos envio, rogo-vos que a façais chegar às mãos dos podestás, cônsules e regentes; fazei dela muitas cópias, para que se divulguem entre os povos e publicamente os louvores de Deus.

    Cuidai bem de entregá-la àqueles que a devem receber.


    (Fonte: “Cartas de São Francisco de Assis”, edição digital INTRATEXT)


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    O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
    O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
    Dom Suger (1081-1151) foi abade de Saint-Denis (França), desde 1122 até sua morte.

    Hábil diplomata, foi conselheiro de Luís VI e de Luís VII e Regente durante a Segunda Cruzada.

    Foi chamado de “pai da monarquia francesa”.

    Suger formulou uma justificação filosófica para a vida e a arte, notadamente para suas realizações arquitetônicas. Compartilhando o sentir medieval, ele concebia os monumentos como obras de teologia.
    Interior da abacial de Saint-Denis, Paris, França

    O abade Suger foi grande teólogo, poeta, patrono das artes e organizador das funções litúrgicas.

    Ele pregou a via da elevação da alma até a contemplação das coisas divinas a partir da beleza material retamente aproveitada.

    A sua influencia na arquitetura gótica foi prodigiosa, especialmente pelas maravilhas introduzidas na Basílica abacial de Saint-Denis.

    Cálice do abbé Suger
    Cálice do abbé Suger
    Esta basílica é a necrópole dos reis da França, e subsiste até hoje, não longe do centro de Paris.

    Ele escreveu:

    “No que concerne à beleza dos vasos sagrados, nós acreditamos, que devemos esculpi-los primorosamente, com uma nobreza externa que corresponda à dignidade com a qual nós os manipulamos no Santo Sacrifício da Missa.

    “Pois, em todas as coisas sem exceção ‒ seja pela matéria ou pelo espírito ‒ nós devemos servir o Redentor o mais perfeitamente possível.

    “E é por isso que nada será suficientemente precioso, nem suficientemente belo, nem suficientemente esplêndido para conter as Sagradas Espécies.

    “No Antigo Testamento, os judeus empregavam vasos e utensílios de ouro para recolher o sangue dos bodes, veados e vacas sacrificadas.

    “Os cristãos no poderiam ornar com pedras preciosas os cálices de ouro que contêm o sangue de Cristo?

    “A beleza da casa de Deus deve, com maior razão, dar aos fiéis como que um antegosto da beleza do Céu.

    “A visão da beleza multicolor das pérolas, com freqüência, me liberou das preocupações da vida exterior elevando minha alma pelo deleite dos esplendores sensíveis até a consideração das virtudes diversas de que elas são o símbolo.

    “Esta visão me deu a ilusão de me encontrar, por assim dizer, numa terra estrangeira que de maneira alguma era a terra de lama deste baixo mundo, mas ainda não era a pura região do Céu.

    “Assim, parece-me que por meio do regozijo com a beleza material, nós podemos, com a ajuda de Deus, sentirmos transportados, por via anagógica (elevação da alma na contemplação das coisas divinas, êxtase, arrebatamento, enlevo), até a fruição espiritual da beleza suprema”.

    (Fonte: apud Edgar de Bruyne, “Le conflit des esthétiques”, Albin Michel, Paris, 1998, p. 143).


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    Anúncio aos pastores. Universidade de Califórnia-Berkeley UCB029
    Anúncio aos pastores. Universidade de Califórnia-Berkeley UCB029

    Naquela noite misteriosa, encoberta de nuvens, um grupo de pastores tinham uma diferente sensação de tranquilidade interna em suas almas.

    Algo estava para acontecer, mas nenhum deles ousava exprimir aos outros aquilo que pensavam ser um sentimento meramente pessoal.

    Sentados em roda, conversavam sobre a chuva que poderia cair durante a madrugada e o cuidado redobrado que teriam para cuidar de suas ovelhas.

    Mas aquela noite misteriosa parecia que desejava revelar-lhes um segredo e à medida que o tempo passava uma mistura de temor e alegria os inundava cada vez mais.

    Embora externassem uns aos outros as preocupações com a chuva, suas atenções segundas estavam voltadas para aquela serena sensação interna, cheia de calma e alegria.

    O silêncio, muitas vezes, é a atitude primeira da alma em face do mistério quando este se apresenta carregado de uma beleza inefável.

    Todo mistério tem algo de obscuro como a noite. Quando obra da graça, esse obscuro é acompanhado por estrelas radiantes que fazem a alma entrever, apesar do escuro do mistério, a luz da verdade inatingível pela razão.

    Se se trata de um mistério divino, esse obscuro não é culpa do mistério, mas da razão humana que é finita e incapaz de abarcar tudo aquilo que Deus revela.

    E Deus deu a alma humana uma sede misteriosa pelo mistério. Tanto que quando o homem, por um ato de revolta, nega os divinos mistérios sobrenaturais e os julga como contrários a sua razão – tão pequena, aliás, e tão debilitada pelo pecado original; minúscula como um grão de poeira se comparada com o tamanho do universo – a alma do homem, assim turvada, se volta ainda assim para os mistérios, mas para as trevas misteriosas do preternatural, do esoterismo e do ateísmo.

    Sim, nada mais sinistramente misterioso do que as trevas do ateísmo e nada é tão inexplicável à razão quanto a fé de seus adeptos.

    Naquela noite, toda a natureza parecia sorrir para os pastores. Mas, como? Se era... noite? Durante a noite não se sente apenas medo e terror do perigo iminente e do sombrio das trevas que acobertam os ladrões e as feras?

    Anúncio aos pastores. Free Library of Philadelphia, Rare Book Department
    Anúncio aos pastores. Free Library of Philadelphia, Rare Book Department
    Como era possível sentir aquela misteriosa sensação de calma, tranquilidade e paz? Havia realmente algo diferente. Um misterioso mistério perfumava aquela noite nos campos próximos à Belém.

    Mas, entre os pastores, diversas eram as atitudes de alma que cada um tomava em face daquela sensação misteriosa que os invadia.

    Uns percebiam que aquilo poderia significar que Deus interviria novamente no curso da História.

    Lembravam-se dos profetas que anunciavam a vinda do Messias, da paganização que cobria a Terra, da história misteriosa e paradoxal de uma Virgem que havia concebido e das opressões que sofriam os fiéis às Leis de Deus naquela Jerusalém decadente.

    Outros pastores apenas identificavam aquela sensação com uma esperança de que a chuva não viesse e assim pudessem ter uma noite mais tranquila.

    Alguns outros, dentre eles, viam naquele sentimento algo que contrariava seu modo de vida libertino e desregrado.

    Entregues às paixões desordenadas e à desordem temperamental que os vícios morais causavam, eles se achavam indignos daquele sentimento de alegria primaveril que, há tantos anos, haviam afogado na fanfarronice febricitante de uma vida onde a virtude não passava de uma palavra. A saudade desse período de inocência perdido os sensibilizava.

    O tempo corria e a noite se firmava. A escuridão parecia pesar cada vez mais. Em certo momento, os pastores notaram que seus rebanhos estavam silenciosos como nunca antes estiveram. Os animais pareciam participar daquela sensação aprazível e serena de algo misterioso.

    Quando menos esperavam, uma luz misteriosa apareceu. Tão forte e intensa que os cegou por instantes e não conseguiam abrir os olhos por mais que tentassem. O temor tomou conta de suas almas.

    Segundos depois, a luz perdeu sua intensidade e eles então puderam ver um anjo pairando no ar. Mas a luz que emanava de seu interior ainda impedia que aqueles homens fixassem suas vistas naquele ser.

    Adoração dos pastores. Giorgio Barbarelli da Castelfranco, dito Giorgione, por volta de 1500.
    Adoração dos pastores. Giorgio Barbarelli da Castelfranco,
    dito Giorgione, por volta de 1500.
    Pela primeira vez eles sentiam-se impotentes e como que diante de algo que poderia lhes tirar a vida com um só ato de vontade. O temor aumentara.

    “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor”, disse-lhes o anjo num tom de voz que eles nunca antes haviam ouvido.

    E o escuro do céu subitamente deu lugar a um coro do exército celeste, que louvava a Deus e dizia como num brado de guerra e ao mesmo tempo como num canto de vitória contra o demônio conspirador da perdição dos homens:

    — “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência divina”.

    Todos olhavam para o firmamento e contemplavam aquele espetáculo que em um instante sumiu dando lugar novamente à escuridão da noite.

    Um bezerrinho encostou-se em seu pastor e este, olhando para o céu, tirou o tecido que lhe cobria a cabeça e apontou para o horizonte dizendo: olhem!

    As nuvens começaram a se abrir e por detrás delas uma estrela desconhecida brilhava fortemente. No alto da colina, os pastores divisaram uma pequena caravana com três camelos que rumava na direção daquele astro.

    “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou”, falaram entre si os pastores.

    E, assim, naquela noite misteriosa, a luz resplandeceu na Terra ( Jo. 1, 5).


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    As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
    As gárgulas da catedral de Dijon passavam muito frio no Natal
    Na Borgonha, as pedras nunca são brancas por vontade de Deus.

    Ao contrário, com o passar dos anos e dos séculos elas ficam bem cinzentas e até pretas.

    No alto da catedral, as gárgulas – aquelas esculturas de animais quiméricos colocadas para dar vazão às águas de chuva e qualquer outra sujeira tirada por esta do telhado –, sempre bem alinhadas, estavam mais do que feias.

    Mais. Sentiam-se doentes e tristes no seu pétreo silêncio.

    Por obra dos entalhadores, elas tinham formas de diabos, monstros e animais horríveis.

    O vento, a chuva, as geadas, as fumaças, tudo contribuía para deixá-las mais estragadas, repulsivas e decadentes.

    Acontecia também – e ninguém sabia explicar – que as pombas tinham diminuído em número, a ponto de quase desaparecerem.

    Só restavam algumas, mas estavam velhas e doentes. Já não se via seu vulto branco no céu e nos galhos das árvores.

    A Virgem Negra da catedral de Dijon
    A Virgem Negra da catedral de Dijon
    Elas não mais arrulhavam como outrora nos jardins.

    O Natal foi se aproximando, e com ele o frio, o vento gélido e os nevoeiros do inverno que estragavam as gárgulas.

    Uma noite gelou de rachar a pedra, que rachou verdadeiramente numa noite de lua: o gelo fez estourar encanamentos e gárgulas.

    Essa tragédia desencadeou uma revolta. Enquanto os homens dormiam, as gárgulas saíram de seu sono pétreo, reuniram-se num conciliábulo noturno e tomaram uma grande decisão.

    Dias atrás elas tinham ouvido que na capela da Virgem Negra, na catedral, havia sido montado um grande presépio.

    Dizia-se que ali havia velas, luz, calor.

    Na véspera, os sinos haviam repicado com maior força e toda a cidade fora visitar o referido presépio.

    Mais tarde, as pessoas voltaram felizes às suas casas aquecidas, enquanto as portas da catedral eram fechadas.

    Ouviram que o mais belo Menino estava lá
    As gárgulas haviam visto aquele espetáculo.

    Mais: do alto da catedral, elas contemplavam de um extremo a outro da cidade centenas de janelas iluminadas nos aconchegantes lares.

    Ainda ouviram elas que dentro da capela podia-se ver o mais belo bebê que nasceu na Terra.

    As gárgulas chegaram a um acordo: embora feitas de pedra estragada pelo frio, elas se refugiariam na capela e falariam com o Menino.

    Acabariam com aquele frio e, além do mais, fariam alguma coisa inusual!

    Na hora mais pesada da noite, começaram elas a se movimentar, cada uma mais feia do que a outra, mais enegrecida e suja do que a vizinha, mais torta e espantosa do que se podia imaginar.

    Agrupadas se pareciam mais com um bando de corvos negros.

    Elas eram dezenas e voavam em torno do campanário à procura de alguma entrada. Assim que a descobriram enfiaram-se todas dentro num só e sinistro voo.

    Quando o Menino as viu chegar chorou de espanto
    Quando o Menino as viu chegar com suas enormes asas pretas e repugnantes bicos pontiagudos, começou a chorar de horror.

    Nem sua Mãe conseguia acalmar seu choro de medo.

    Apavorados pelo pânico que eles próprios tinham suscitado, os corvos-gárgulas retrocederam.

    E se reuniram de lado de fora, numa hora em que a neve começara a cair.

    Puseram-se então a discutir o que fazer.

    A disputa foi longe e não chegavam a um acordo. Voltar ao teto da catedral? Que horror! Que frio!

    Mas fazer chorar um recém-nascido era um crime insuportável!

    Finalmente, decidiram voltar à capela, devagarzinho, em boa ordem, calmamente, com silêncio e disciplina.

    Vendo-as o Menino riu
    Na segunda vez, vendo-as o Menino riu
    Quando o Menino os viu, começou a rir. E o fazia a plenos pulmões de gáudio e satisfação.

    Os corvos-gárgulas não acreditavam no que viam. Eles, esses monstros alegravam o Menino?

    Eles se olharam uns aos outros e atinaram com estupefação que não se pareciam mais corvos.

    A neve que caíra sobre eles do lado de fora os tinha recoberto com seu manto branco.

    Vendo-os chegar, a Mãe daquela divina Criança voltou seu olhar com um sorriso apiedado para o tabernáculo, e rogou para que a neve branca e delicada que os cobria nunca mais derretesse.

    Se aqueles pássaros não assustaram o Menino era porque sua plumagem tinha ficado suave, sedosa e alva.

    Foi assim que numa bela manhã de Natal os habitantes de Dijon viram que as pombas haviam reaparecido voando sobre a catedral.

    É por isso também que os guias honestos contam aos turistas que as gárgulas hoje existentes na catedral não são as originais, mas meras cópias.

    (Fonte: Sophie e Béatrix Leroy d’Harbonville, “Au rendez-vous de la Légende Bourguignonne”, ed. S.A.E.P., Ingersheim 68000, Colmar, França)





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  • 12/22/13--14:16: Feliz Natal e bom Ano Novo!
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    Busto relicário de Carlos Magno.
    Fundo: interior da cúpula da catedral de Aachen, Alemanha.
    Carlos Magno é venerado como Beato em várias dioceses europeias.
    “Seria injusto condenar a produção e o uso de objetos preciosos, sempre que eles correspondam a um fim honesto e conforme aos preceitos da lei moral.

    “Tudo quanto contribui para o esplendor da vida social, tudo quanto lhe ressalta os aspectos jubilosos ou solenes, tudo quanto faz resplandecer nas coisas materiais a perenidade e a nobreza do espírito, merece ser respeitado e apreciado.”

    __________

    (Pio XII, Discurso de 9 de novembro de 1953, ao IV Congresso Nacional da Confederação Italiana de Ourives, Joalheiros e Afins — Discorsi e Radiomessaggi, vol. XV, pág. 462).



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    Rosácea lateral da catedral de Chartres, França
    Imaginemos um vitral em forma circular, ou seja, uma rosácea. Um mundo de cores diferentes.

    Dentro do conjunto de cores, poder-se-ia fazer um passeio: ora “entrar” no céu cor de anil, ora no dourado absoluto, depois no verde total ou no vermelho bem rubro.

    Os olhos “entram” em vários pedacinhos de céu, olham daqui, de lá e de acolá.

    Em determinado momento, surge a maior alegria: a visão do conjunto.

    Ao cabo de algum tempo, não sou mais eu que estou olhando para a rosácea, mas é ela que está como que olhando para mim.

    Um imenso olhar de “alguém” que contém todos os estados de espírito correlatos com aquelas várias cores e que no seu conjunto me analisa.

    Analisa não tal aspecto ou tal outro de minha psicologia, mas a mim como um todo, composto de proporções desiguais e irrepetíveis.

    Nunca houve antes, nem haverá depois, um outro igual a cada um de nós.

    Se eu olho em torno de mim e vejo outras pessoas também contemplando o vitral, noto como elas são diferentes de mim e para cada uma delas o vitral diz coisas diferentes.

    Percebo a variedade inesgotável de interpretações que a alma humana, olhando para a rosácea, pode estabelecer, a ponto de se sentir compreendida por ela.

    Gosto muito de ver fotografias de vitrais medievais. Aquelas que retratam aspectos isolados deles não dão, a meu ver, o melhor do vitral.

    O melhor é quando a rosácea inteira projeta sua luz para nós.

    Por quê?

    Por causa da própria natureza da alma humana. Somos tais que podemos ter aspectos de alma lindos.

    Entretanto, o mais belo não é nenhum deles.

    O mais bonito é contemplar a alma humana enquanto criatura em que Deus vai formando, com aspectos vários, uma imagem d’Ele dentro da coleção quase incontável dos homens.

    Desde o primeiro homem até o último, cada um ocupa um lugar sem o qual a coleção ficaria incompleta.

    Como um vitral que recebeu uma pedrada e nesse ponto aparece um buraco.

    Assim, analisando cada homem no seu conjunto, notamos uma porção de elementos individualmente lindos; mas o mais belo é, se cada um se santificar, observar no seu todo a plenitude de sua personalidade.


    (Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, excertos da conferência proferida em 26/10/1980. Sem revisão do autor).


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    No turíbulo estão bem simbolizadas as três virtudes teologais — Fé, Esperança e Caridade.

    A meu ver principalmente a Fé, mas também as outras duas virtudes estão simbolizadas no turíbulo.

    Uma pessoa olhando para ele percebe um vislumbre da ordem sobrenatural.

    A Fé está para a alma humana como os grãos de incenso estão para o fogo.

    Assim, quando a alma é ardente, coloca acima de tudo a virtude da Fé, e esta recebe do calor da alma humana uma realidade, uma vida.

    Mas, de outro lado, nunca dos nuncas apenas o carvão sozinho emitiria aquele perfume desprendido do incenso.

    É preciso que os grãos de uma outra essência caiam sobre as brasas, para, no fogo, desprender aquela fumaça perfumada.

    Não há ninguém que, vendo queimar o incenso no turíbulo e vendo como ele se eleva, não tenha a sensação de que sua oração está se elevando como incenso para Deus. É a Esperança!

    Nesta meditação, o que dizer quanto à virtude da Caridade?

    Naquela fumaça sente-se um certo calor, e ela tende a se espraiar generalizadamente por todo o ambiente — como a Caridade, que é generosa, abarcante e deseja se estender a todos.

    Na alma de um católico esses símbolos permanecem meio intuitivos e o leva a pensar: “Faz bem olhar para o turíbulo!”.

    Analogamente, é o mesmo efeito que produz a lamparina no altar com o Santíssimo Sacramento.

    Se no lugar dela se colocasse uma lâmpada elétrica, não produziria esse efeito.

    (Autor: excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de julho de 1988. Sem revisão do autor).


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    Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
    Anel do Pescador que foi de Bento XVI.

    No post “Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média”, apresentamos a contribuição que a “Doce primavera da Fé” deu para a criação ou definição de certas insígnias dos Papas.

    Essas insígnias não correspondem a uma época, mas a todas as épocas e provêm de ensinamentos evangélicos ou da Tradição da Igreja.

    Neste post trataremos de outras insígnias e da parte que a Era Medieval teve em sua elaboração.

    O Anel do Pescadoré dos mais importantes símbolos. Consiste num anel de ouro no qual está gravada a Barca de Pedro, símbolo da Igreja, e em volta, o nome do Papa que o está usando.

    A primeira menção documentada ao Anel está contida numa carta do Papa Clemente IV de 1265. Nela, o Pontífice dizia que era costume dos sucessores de Pedro muito anteriores a ele, manter sigilosas suas cartas.

    Isto se fazia através de um pouco de cera quente no fim do texto ou para fechar o envelope. O Papa aplicava então o Anel, que deixava cunhado seu nome e a Barca.

    Férula, originalmente do Beato Pio IX.
    Férula, originalmente do Beato Pio IX.
    Depois passou a ser usado em todos os documentos oficiais da Igreja, que são conservados no Vaticano.

    Cada Anel do Pescador é destruído pelo Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana assim que se constata a morte do Papa.

    A destruição simboliza o fim da autoridade do Papa falecido, e impede que algum outro venha a utilizá-lo indevidamente.

    A Férula é usada pelos Papas em lugar do báculo pastoral dos bispos e abades mitrados. Enquanto o báculo, que lembra um cajado de pastor, indica a autoridade na diocese ou na abadia, a Férula, que tem forma de Cruz, indica a jurisdição universal do Papa.

    A Férula já era usada nos primórdios da Idade Média. No auge desta, era recebida pelo novo Papa como símbolo de governo, que inclui a punição e a penitência.

    A Sedia Gestatóriaé um trono portátil levado por 12 homens chamados de sediários ou palafreneiros, que vão vestidos de vermelho com ornatos de ouro.

    A Sedia Gestatória é acompanhada por dois assistentes que levam os Flabelli, ou flabelos, grandes leques de pena de avestruz que remontam ao século IV.

    Os flabelli eram usados pelos magnatas da Antiguidade e nasceram com uma finalidade muito prática: afastar insetos; mas depois permaneceram, pelo seu valor decorativo e pela manifestação da altíssima dignidade do Pontífice.

    A mais antiga referência à Sedia Gestatória remonta ao ano 521 e era também reminiscência dos antigos reis. Hoje é certo que ela vinha sendo usada antes do ano 1.000.

    Pálio pontifício.
    Pálio pontifício.
    O Papa também usa o Pálio sobre os paramentos litúrgicos, na Missa ou em outras cerimônias.

    Trata-se de uma rica fita circular da qual descem duas faixas de 30 cm, uma pelo peito e outra pelas costas.

    O Pálio é ornado com seis cruzes pequenas, vermelhas, para lembrar o Preciosíssimo Sangue derramado na Redenção, e é preso por três agulhas de ouro, que evocam os pregos com que Jesus foi crucificado.

    Também os arcebispos usam o Pálio, embora mais simples. Os bispos dos ritos orientais católicos usam-no com mais ornato.

    Outra insígnia exclusiva é o Fanon, pequena capa de ombros, como uma dupla murça (mozeta) ou camalha de seda branca com listras douradas.

    O Fanon, ou Fano, é reservado somente ao Papa durante as Missas pontificais e representa o escudo da fé que protege a Igreja Católica, personificada no Papa.

    Só o Sumo Pontífice, chefe visível da Igreja de Cristo, pode usar o Fanon.

    As faixas verticais, de cor dourada, representam a unidade e a indissolubilidade da Igreja latina e oriental. O Fano já era usado no século VIII, porém ficou exclusivo do Papa a partir do fim do século XII.

    Sedia Gestatoria, se destacam os fiabelli
    O sub-cinctorium, ou succintório, ou subcíngulo, só é usado pelo Papa nas Missas pontificais. Consiste numa faixa estreita e comprida, decorada nas extremidades com uma cruz e um cordeiro, pendendo do lado esquerdo.

    Mencionado pela primeira vez no século X, na Idade Média o subcíngulo podia ser usado pelos bispos, e era dotado de uma bolsa com esmolas para distribuir aos pobres. Evoca também a toalha usada por Jesus na Última Ceia para lavar os pés dos Apóstolos.

    Embora não tenham sido abolidos, esses símbolos deixaram de ser usados hoje –numa época em que paradoxalmente tanto se fala dos pobres e da pretensa humildade de tantos prelados.

    Manto, no quadro usado por S.S. Pio VII na Capela Sistina
    O Manto é uma capa muito larga, exclusiva do Papa. Originariamente era vermelha e depois passou a acompanhar as cores litúrgicas. Quando o Papa usava a Sedia Gestatória, portava o Manto.

    A primeira referência ao uso do Manto remonta à Divina Comédia de Dante Alighieri, no século XIII.

    O Manto é muito maior que o Papa, que ao sentar-se no trono coloca seus pés sobre ele, enquanto os assistentes o espraiam sobre os degraus do trono. Indica a superioridade absoluta do Papa. Bispos e outros dignitários podiam usar mantos menores.

    O Manípulo Papal é semelhante aos usados por bispos e padres, com a diferença de que os fios que o unem são dourados e vermelhos, para simbolizar a união das igrejas católicas, ou ritos católicos do Oriente e do Ocidente. É usado na liturgia desde o século VI.

    Cabe mencionar o “umbraculum” ou umbrela, rico guarda-chuva de cor dourada e vermelha que os Papas usavam para se proteger do sol. Era prerrogativa exclusiva dos reis e simbolizava o poder temporal do Papado. Teria sido instituído por Alexandre VI, na transição da Idade Média para a Renascença.

    É símbolo da vacância do Papado. Atualmente é usado no escudo de armas do Cardeal Camerlengo, que administra a Igreja durante a vacância do Trono de Pedro entre a morte de um Papa e a entronização do seguinte.

    Esta insígnia constitui também privilégio das basílicas, sendo habitualmente exposta junto ao altar-mor ou em procissões.


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    Brasão do Estado da Cidade do Vaticano
    O Estado da Cidade do Vaticano tem um brasão. Ele se compõe com duas chaves cruzadas, a tiara pontifícia sobre fundo vermelho e a inscrição “Estado da Cidade do Vaticano” e uma estrela de oito pontas.

    A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.

    É a coroa própria dos Papas.

    É uma coroa única no mundo. E tomou sua forma praticamente definitiva durante a Idade Média.

    Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.

    A origem mais remota dela está no Antigo Testamento. Deus disse a Moisés: “Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).


    Tiara de Pio VII
    Tiara de Pio VII.
    Aarão, irmão de Moisés é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura os Papas instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, e continuado por seus sucessores de Roma.

    O Papa Sérgio III (904-911) fez cunhar moedas com a imagem de São Pedro com tiara. Na basílica inferior de São Clemente, em Roma, um fresco do fim do século XI apresenta o Papa Adriano II (867-872) com a tiara.

    A primeira coroa da tiara reúne simbolicamente a jurisdição eclesiástica do Papa e a coroa do governo temporal sobre os feudos pontifícios.

    Bonifacio VIII (1294-1303), que sofria execrável revolta do rei da França Filipe o Belo, acrescentou a segunda coroa, para sublinhar que a autoridade espiritual do Papa está por cima da autoridade temporal dos reis.

    Bento XII (1334-1342) acrescentou a terceira coroa para simbolizar a autoridade efetiva do Papa sobre todos os soberanos, o que inclui o poder de instituí-los (como fez São Leão III com Carlos Magno imperador) ou destituí-los (como São Gregório VII com o imperador Henrique IV).

    As três coroas representam também a potestade máxima na Ordem do Sacerdócio, na Jurisdição (ou poder de mando) Universal e no Magistério Supremo, exclusivos do Sumo Pontífice.

    Tiara de Gregorio XVI, 1834
    No século XIII foram acrescentadas as fitas posteriores. Elas evocam as fitas que na Antiguidade cingiam a cabeça dos sacerdotes.

    A tiara era imposta ao novo Papa pelo Cardeal protodiacono pronunciando a seguinte fórmula: “Recebe a tiara ornada com três coroas e sabe que és o pai dos príncipes e dos reis, o reitor do mundo, o vigário na terra do Salvador nosso Jesus Cristo, ao qual se deve todo honor e toda glória pelos séculos dos séculos”.

    Em virtude destes significados, a tiara foi particularmente odiada pelos inimigos da Igreja e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, em sentido contrário, ela foi amada até a efusão do sangue pelos santos e pelos fiéis especialmente devotados ao sucessor de Cristo.

    Nações e dioceses fizeram questão de doar mais ricas e esplendorosas tiaras ao Pai comum da Cristandade. Por isso há várias tiaras. Elas competem em arte, beleza e riqueza. Alguns Pontífices sobremaneira amados ganharam mais de uma, como o bem-aventurado Pio IX. Várias se conservam no Vaticano.

    A tiara não era usada no dia-a-dia, mas nas solenidades. O último a usá-la de público foi S.S. Paulo VI na basílica de São Pedro no dia 30 de junho de 1963.

    Em 13 de novembro de 1964, na terceira sessão do Concílio Vaticano II, o secretário do mesmo, Mons. Pericle Felici, anunciou que o Papa Paulo VI doava sua tiara aos pobres.

    Então Paulo VI desceu do trono e depôs a tiara sobre a mesa do altar em meio às aclamações dos padres conciliares. Aquela tiara lhe fora presenteada pela arquidiocese de Milão, da qual ele foi arcebispo, com o contributo dos fiéis até dos mais humildes e sacrificados. Desde então, nem ele nem seus sucessores, nunca mais a usaram.

    Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
    Desde a eleição de S.S. João Paulo I, em agosto de 1978, a cerimônia da coroação foi substituída pela simples imposição do pálio.

    A mais antiga representação das chaves cruzadas tendo sobre si a tiara é tempo do pontificado de Martinho V (1417-1431). O sucessor, Eugenio IV (1431-1447), cunhou esse emblema numa moeda de prata, conhecida como o “grosso papale”.

    As chaves simbolizam os poderes dados ao Papa por Nosso Senhor Jesus Cristo Evangelho (Mat, 16-19).

    Uma chave é dourada e significa que o Papa tem o poder supremo na ordem espiritual. A chave de prata indica que o Poder supremo do Papa sobre a ordem temporal é circunscrito a tudo aquilo que se refere à Fé e à Moral, conservando a ordem temporal sua autonomia naquilo que excede esses campos superiores. A chave dourada passa por cima da chave de prata.

    As duas chaves condensam todos os poderes do Papa.

    Há pelo menos oito séculos, os Papas têm seu próprio brasão pessoal. No atual de S.S. Bento XVI figura uma concha, a cabeça de moro e um urso.

    No domingo 10 de outubro foi ostentado pela primeira vez o brasão de S.S. Bento XVI com a tiara pontifícia, símbolo exclusivo dos Papas.

    Até o presente, em seu lugar, havia uma mitra, símbolo próprio de um bispo.

    Brasão pessoal de S.S. Bento XVI
    A empresa italiana de bordados de luxo Ars Regia responsável pela confecção do brasão bordado no tapete exposto sob a janela em que o Pontífice fala aos peregrinos, explicou que foi feito segundo “a antiga tradição”.

    O cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo explicou a “La Croix” que a decisão de não mais usar a tiara fora do próprio Bento XVI, quem agora a restaurou. “No dia seguinte de sua eleição, testemunhou o Cardeal, ele próprio disse-me que ele não queria que a tiara continuasse aparecendo e que queria substituí-la por uma mitra”.

    Esta restauração foi recebida com júbilo pelos católicos amantes da Cristandade.

    (Fonte: L'Osservatore Romano, 10 agosto 2008)

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